Black Friday 2026: os números para definir a meta da loja

A Black Friday de 2026 cai em 27 de novembro, uma sexta-feira. No dia da Black Friday de 2025, o e-commerce brasileiro faturou R$ 4,76 bilhões, 11,2% a mais que em 2024, segundo a Confi Neotrust. Esse número serve para entender o mercado, mas não serve como meta da sua loja. A meta sai de três números que só você tem: o que a loja vendeu em novembro passado, quanto ela consegue crescer com o orçamento deste ano e quantos pedidos ela aguenta despachar por dia. Abaixo, os dados conferidos até outubro de 2026 e a conta da meta, com um exemplo numérico.
O que a Black Friday de 2025 entregou
Os números da Confi Neotrust (2025) mostram o formato que a data tomou:
| Período medido em 2025 | Faturamento | Variação sobre 2024 | Pedidos | Ticket médio |
|---|---|---|---|---|
| 1º a 24 de novembro | R$ 36,6 bilhões | +35,5% | 109,5 milhões | R$ 307,40 (-8,9%) |
| Quinta, 27 de novembro | R$ 2,28 bilhões | +34,1% | 17% menor | |
| Sexta, 28 de novembro (Black Friday) | R$ 4,76 bilhões | +11,2% | 8,69 milhões (+28%) | R$ 553,60 (-12,8%) |
| Quinta a domingo, 27 a 30 de novembro | R$ 10,19 bilhões | +7,8% | 21,5 milhões (+16,5%) |
Fonte: Confi Neotrust, via Gironews (27/11/2025 e 02/12/2025).
Três leituras saem dessa tabela.
A venda começou semanas antes. Os 24 primeiros dias de novembro cresceram 35,5%, mais que o triplo do dia da Black Friday, e a quinta-feira cresceu 34,1%. Quem só ligou a campanha na sexta perdeu a parte do mês que mais cresceu.
Mais pedidos, ticket menor. No dia, os pedidos subiram 28% e o ticket caiu 12,8%. O faturamento cresceu porque mais gente comprou itens mais baratos, não porque cada pessoa gastou mais. Para a loja, isso significa mais caixas para embalar por real faturado.
O dia voltou a crescer, mas sem salto. Foi o melhor desde 2021, quando a data chegou a R$ 5,13 bilhões na pandemia, e o ritmo é de um dígito alto a dois dígitos baixos.

As projeções para 2026 e o tamanho da incerteza
A Abiacom, nome que a ABComm adotou em outubro de 2025, projeta para o e-commerce brasileiro em 2026 um faturamento de R$ 259,8 bilhões, com 460,87 milhões de pedidos, ticket médio de R$ 562,15 e 97,06 milhões de compradores, segundo o Times Brasil (fevereiro de 2026). Em 2025, pela mesma entidade, o setor faturou R$ 235,5 bilhões, 15,3% acima de 2024, com ticket de R$ 536,60. A projeção de 2026 embute crescimento perto de 10%. O primeiro semestre veio acima disso: R$ 125 bilhões, alta de 24,37%, segundo o Mercado&Consumo (agosto de 2026).
Para a Black Friday em si, as projeções publicadas até outubro de 2026 são estas:
- Abiacom: R$ 14,75 bilhões para a Black Friday, com ticket médio de R$ 808,50, segundo a Gironews (julho de 2026).
- Stefanini Marketing: R$ 14,5 bilhões na semana do evento, alta de 8,4%, com 18,3 milhões de pedidos (+10,8%) e ticket médio perto de R$ 791, 2,2% menor que em 2025, segundo o TrendsCE (setembro de 2026).
- Confi Neotrust: até o fechamento deste texto, não havia divulgado a projeção para 2026.
Cada fonte mede um período e uma base de lojas diferentes. Por isso o certo é tratar o conjunto como uma faixa: crescimento entre 8% e 11% para a data, com ticket médio estável ou em queda, num ano em que o setor cresce mais rápido que isso. Não existe um número exato do mercado para copiar.
A própria Black Friday de 2025 mostra o tamanho do erro possível. Em outubro de 2025, a Neotrust projetou crescimento de 17% para o período da data, segundo a Forbes. O resultado medido pela mesma empresa foi de 7,8% de quinta a domingo e 11,2% no dia. Quem fixou a meta pela projeção comprou estoque para um crescimento que o mercado não entregou.
O que o consumidor diz que vai fazer
A pesquisa de intenção de compra da LWSA, feita com o painel da Opinion Box entre 31 de julho e 19 de agosto de 2026 com 1.044 pessoas que pretendem comprar na data, divulgada pelo Startupi (setembro de 2026), mostra que:
- 50% começam a pesquisar ofertas mais de um mês antes e 72% guardam dinheiro especificamente para a Black Friday.
- 54% pretendem diluir as compras ao longo de novembro. Só 20% pretendem concentrar tudo na sexta-feira.
- 44% planejam gastar mais de R$ 1.000 no período.
- 58% pretendem pagar com cartão parcelado sem juros e, para 59%, o desconto no Pix influencia a decisão de compra.
- Na hora de pagar, 55% desistem se houver juros no parcelamento e 51% desistem de uma página que parece amadora.
O estudo da Stefanini Marketing, com mil entrevistados, divulgado pelo E-Commerce Brasil (setembro de 2026), aponta na mesma direção: 56% começam a pesquisar com mais de 30 dias de antecedência, 45,6% usam as datas duplas de setembro, outubro e novembro como referência de preço e 86% pretendem usar inteligência artificial na compra. A Serasa Experian (setembro de 2026) estima 23,5 milhões de brasileiros com afinidade pela data.
Para a meta, o que importa é o calendário. Se metade dos clientes pesquisa um mês antes e mais da metade compra ao longo de novembro, a meta da loja é de quatro semanas, com a sexta-feira como pico, não como o todo.

A conta da meta: histórico, crescimento e capacidade
A meta sai de três perguntas, nesta ordem.
1. O que a loja vendeu em novembro de 2025?
Pegue no painel da loja os pedidos pagos de novembro de 2025, separados em três blocos: 1º a 25 (pré-Black), 26 a 29 (quinta a domingo) e 30 em diante (Cyber Monday). Para cada bloco, anote pedidos, faturamento e ticket médio, e compare o ticket com o de um mês normal, como setembro. Loja aberta depois disso usa a melhor semana de 2026 como base. Esse histórico vale mais que qualquer projeção de mercado, porque carrega o seu mix, o seu público e o seu preço.
2. Quanto a loja consegue crescer?
Separe o crescimento em duas partes. A primeira é a inércia do mercado: a faixa de 8% a 11% das projeções de 2026, o que a loja tende a crescer se fizer o mesmo que fez em 2025. A segunda é o crescimento próprio: base de clientes maior, mais mídia, mix novo, frete melhor. Essa parte precisa de justificativa escrita. “Vamos crescer 40%” sem dizer de onde vêm os pedidos a mais não é meta, é desejo. Se a mídia é a mesma de 2025 e a base de e-mails cresceu 15%, a meta própria não deveria passar muito disso.
3. Quantos pedidos a loja aguenta?
Esse é o número que limita a meta por cima. Três gargalos:
- Estoque: a meta em pedidos, multiplicada pela média de itens por pedido, precisa caber no estoque comprado em outubro, com folga de 15% a 20% nos produtos que puxam a campanha. O que fazer com cada produto está no post sobre preparar o estoque para a Black Friday.
- Expedição: quantos pedidos a equipe embala e posta por dia, por quantos dias seguidos. Quem planeja pelo faturamento subestima as caixas, porque o ticket cai.
- Caixa: o estoque é pago em outubro e o cartão parcelado entra nos meses seguintes. A meta precisa caber no caixa disponível para comprar antes de receber.
Se a capacidade for menor que a meta do passo 2, a meta é a capacidade. Na pesquisa da LWSA com a Opinion Box, produto errado, atraso na entrega e dificuldade de troca lideram os motivos para não comprar de novo numa loja depois da Black Friday.

Um exemplo com números
Uma loja de acessórios que, em novembro de 2025, vendeu assim:
| Bloco de novembro de 2025 | Pedidos | Ticket médio | Faturamento |
|---|---|---|---|
| 1º a 25 (pré-Black) | 210 | R$ 190 | R$ 39.900 |
| 26 a 29 (quinta a domingo) | 160 | R$ 175 | R$ 28.000 |
| 30 (Cyber Monday) em diante | 40 | R$ 180 | R$ 7.200 |
| Novembro inteiro | 410 | R$ 183 | R$ 75.100 |
Inércia do mercado: com crescimento de 8% a 11%, a loja chegaria a algo entre R$ 81 mil e R$ 83 mil em novembro de 2026 sem fazer nada de diferente.
Crescimento próprio: a loja dobrou a base de e-mails e WhatsApp durante o ano e vai investir 30% a mais em anúncios. É razoável assumir mais 15% a 20% de pedidos em cima da inércia. Meta calculada: cerca de 520 pedidos e R$ 95 mil, mantendo o ticket de R$ 183.
Capacidade: a equipe de duas pessoas embala no máximo 45 pedidos por dia. Se os 520 pedidos se distribuírem como em 2025, o bloco de quinta a domingo (39% do mês) recebe 203 pedidos em quatro dias, com pico de uns 90 na sexta. Não cabe. Duas saídas: contratar reforço para a semana da Black ou puxar vendas para o início de novembro, que é o que 54% dos consumidores dizem que vão fazer de qualquer jeito.
A meta final ficaria em 500 pedidos e R$ 91 mil, com teto de 45 pedidos por dia até chegar o reforço. É menor que a primeira conta, mas é uma meta que a loja entrega sem atrasar pedido.
O desconto e a fraude entram na conta antes da meta
Meta de faturamento diz pouco sem a margem ao lado. Com 20% de desconto na campanha, cada pedido rende menos, e a meta em reais precisa crescer mais do que a meta em pedidos só para manter o lucro do ano passado. Quanto é preciso vender a mais por ponto de desconto está no post sobre cupom de desconto sem corroer a margem. E mais pedidos trazem mais tentativas de fraude, cujo prejuízo sai da mesma margem; o passo a passo para proteger a loja de fraudes na Black Friday trata disso.
Como acompanhar a meta durante novembro
Meta de Black Friday se confere todo dia, porque não dá tempo de corrigir depois. Três indicadores bastam:
- Pedidos pagos por dia contra o plano. Se a primeira semana de novembro ficou 20% abaixo, dá tempo de reforçar a oferta ou a mídia antes da semana da Black.
- Ticket médio contra o de 2025. Se cair mais do que o previsto, a meta em pedidos sobe e a expedição precisa ser avisada.
- Pedidos postados no prazo. É o indicador que protege a recompra. Se ele cair, a loja está vendendo mais do que entrega, e a decisão certa é frear a mídia, não acelerar.
O restante da preparação, da infraestrutura ao frete e aos testes de carga, está no roteiro de como preparar a loja para a Black Friday. Ele começa onde este texto termina: com uma meta em pedidos por dia, uma faixa de faturamento e um limite de capacidade escritos num lugar que toda a equipe vê.
Fontes: Confi Neotrust, Black Friday 2025, via Exame (30/11/2025), Gironews (27/11 e 02/12/2025) e Forbes (30/10/2025); Abiacom (antiga ABComm), via Times Brasil (18/02/2026), Mercado&Consumo (11/08/2026) e Gironews (23/07/2026); Stefanini Marketing, via TrendsCE (18/09/2026) e E-Commerce Brasil (09/09/2026); LWSA e Opinion Box, Intenção de Compra Black Friday (agosto de 2026), via Startupi (23/09/2026); Serasa Experian (16/09/2026).
Perguntas frequentes
Quando é a Black Friday de 2026?
Na sexta-feira, 27 de novembro de 2026. A Cyber Monday cai em 30 de novembro. Na pesquisa da LWSA com o painel da Opinion Box (2026), 54% dos consumidores pretendem diluir as compras ao longo de novembro e só 20% pretendem concentrar tudo na sexta-feira, então a campanha da loja precisa começar antes do dia.
Quanto o e-commerce faturou na Black Friday de 2025?
R$ 4,76 bilhões no dia 28 de novembro, alta de 11,2% sobre 2024, segundo a Confi Neotrust. Foram 8,69 milhões de pedidos, 28% a mais que no ano anterior, com ticket médio de R$ 553,60, 12,8% menor. De quinta a domingo, o período somou R$ 10,19 bilhões, crescimento de 7,8%.
Qual é a projeção para a Black Friday de 2026?
As projeções publicadas até outubro de 2026 variam conforme a fonte e o período medido. A Abiacom projeta R$ 14,75 bilhões para a data. A Stefanini Marketing projeta R$ 14,5 bilhões na semana, com 18,3 milhões de pedidos e ticket médio perto de R$ 791. Trate os números como uma faixa, não como um valor exato.
Quanto o e-commerce brasileiro deve faturar em 2026?
A Abiacom, antiga ABComm, projeta R$ 259,8 bilhões em 2026, com 460,87 milhões de pedidos, ticket médio de R$ 562,15 e 97,06 milhões de compradores. Em 2025, o setor faturou R$ 235,5 bilhões, alta de 15,3% sobre 2024. O primeiro semestre de 2026 fechou em R$ 125 bilhões, alta de 24,37%, segundo a mesma entidade.
Como definir a meta da minha loja para a Black Friday?
Parta do que a loja vendeu em novembro de 2025, em pedidos e em ticket médio, e não do faturamento do mercado. Aplique o crescimento que o seu histórico e o seu orçamento de mídia sustentam, usando a faixa do mercado, de 8% a 11%, como referência de inércia. Depois limite a meta pela capacidade real de estoque, expedição e caixa.
O ticket médio da Black Friday vai cair de novo em 2026?
É o que as projeções indicam. Em 2025, o ticket do dia caiu 12,8% segundo a Confi Neotrust, e a Stefanini Marketing projeta nova queda, de 2,2%, em 2026. Isso significa mais pedidos para o mesmo faturamento, o que pesa sobre embalagem, expedição e frete. Planeje a meta em número de pedidos, não só em reais.
Quando o cliente começa a pesquisar as ofertas da Black Friday?
Bem antes da data. Na pesquisa da LWSA com o painel da Opinion Box (2026), 50% dos consumidores pesquisam ofertas mais de um mês antes e 72% guardam dinheiro especificamente para o evento. No estudo da Stefanini Marketing (2026), 56% começam a pesquisa com mais de 30 dias de antecedência.
Leia também
Teste de cartão: como proteger sua loja na Black Friday
Teste de cartão é quando um bot usa a sua loja para validar cartões roubados. Veja como diferenciar de fraude direta e quando usar Antibot, Zero Dollar e 3DS.
Modo IA do Google: o que muda na sua loja virtual
O Modo IA e os resumos de IA do Google cortam cliques. O que ajustar na página de produto, nos dados estruturados e no GA4 para a loja seguir aparecendo.
Reajuste dos Correios 2026 e a política de frete da loja
O que mudou nos Correios em abril de 2026 e como montar a política de frete da Black Friday: frete grátis com pedido mínimo, regiões, contrato e prazo.


