Como proteger sua loja de fraudes na Black Friday

Texto atualizado em outubro de 2026, com os dados da Black Friday de 2025 e os recursos atuais de proteção.
A Black Friday concentra em quatro dias o maior volume de pedidos do ano, e a fraude acompanha. Entre 27 e 30 de novembro de 2025, o e-commerce brasileiro registrou 4,9 milhões de pedidos, e 22.295 foram classificados como tentativas de golpe e bloqueados, evitando cerca de R$ 24 milhões em prejuízo, segundo a Serasa Experian (2025).
O risco não é só o número de tentativas, é o valor delas. No Mapa da Fraude Black Friday 2025, da Serasa Experian com a ClearSale (2026), o tíquete médio das fraudes na Black Friday de 2024 foi de R$ 1.504,57, 40% acima da média do ano. O fraudador escolhe o produto caro e o momento em que a loja está ocupada demais para olhar pedido por pedido.
Este texto mostra os golpes mais comuns contra loja virtual na data e um roteiro por prazo para reduzir a fraude sem barrar o cliente de verdade.
Os golpes mais comuns contra a loja
Compra com cartão roubado. O fraudador compra com dados de cartão de outra pessoa. A venda é aprovada, o produto sai, e semanas depois o titular contesta. O valor volta para ele como chargeback, e a loja fica sem o produto e sem o dinheiro. O post sobre como funciona o chargeback no e-commerce explica o processo.
Teste de cartão. Alguém usa a loja para conferir, em sequência, se cartões roubados funcionam. Mesmo sem nenhuma venda aprovada, cada tentativa conta como recusa na adquirente, e recusa demais pesa na reputação da loja. É comum o ataque acontecer de madrugada, quando ninguém está olhando.
Autofraude. O próprio titular do cartão compra, recebe e depois diz que não reconhece a compra. É o caso em que a prova de entrega decide a contestação.
Golpe contra o seu cliente usando a sua marca. Site falso, perfil falso em rede social ou falso atendimento por WhatsApp, oferecendo “promoção de Black Friday” e cobrando por Pix. O prejuízo é do cliente, mas a reclamação chega à loja.
O horário também importa
Os ataques se concentram quando há menos gente vigiando. Na Black Friday de 2024, segundo a Serasa Experian (2025), as compras atingiram o pico entre 13h e 14h, com mais de 300 mil pedidos por hora, mas a taxa de tentativa de fraude chegou a 2% às 3h da manhã, o dobro da média do dia.
Na prática, pedido de alto valor feito de madrugada merece a mesma atenção de um pedido com endereço estranho. Se a loja não tem ninguém de plantão, a regra simples é: pedido suspeito da madrugada só é enviado depois de revisado pela manhã.
Roteiro por prazo
Seis semanas antes
- Revise a configuração do antifraude e o nível de proteção. Na iSET, o antifraude antes da cobrança, que chegou na versão 4.51, barra as tentativas de teste de cartão antes de a cobrança chegar à adquirente. A configuração fica em Configurações → Segurança, com três níveis: leve, intermediário (recomendado) e agressivo.
- Proteja o acesso ao painel. Senha forte e única para cada pessoa da equipe, sem conta compartilhada, e remoção do acesso de quem saiu da empresa.
- Mapeie os produtos de alto valor e alta revenda, como eletrônicos, perfumes e cosméticos. São os primeiros alvos.

Duas semanas antes
- Defina as regras de revisão manual: pedidos acima de um valor, endereço de entrega diferente do endereço de cobrança, várias tentativas de pagamento no mesmo pedido, muitos itens iguais de produto caro e conta criada minutos antes da compra.
- Combine com a expedição que só sai pedido aprovado. Na pressa da Black Friday, é comum enviar antes da análise terminar.
- Divulgue os canais oficiais da loja no site e nas redes: o único WhatsApp, o domínio e a forma de pagamento. Isso reduz o golpe contra o seu cliente e dá a ele como conferir.
Na semana
- Deixe o antifraude no nível intermediário. O agressivo protege mais e barra mais cliente bom; deixe-o para quando houver ataque em andamento. Na iSET, quando a plataforma detecta um ataque, um modo de proteção reforçada liga sozinho e desliga quando o ataque passa.
- Separe alguém para olhar a fila de revisão de manhã cedo, para os pedidos da madrugada não atrasarem.
- Teste a compra completa com cartão e com Pix, para saber como o pedido aparece quando cai em revisão.
No dia
- Acompanhe a taxa de recusa. Um salto de recusas em poucos minutos costuma ser teste de cartão. Ligue o código por e-mail na primeira compra com cartão só enquanto o ataque durar: ele acrescenta um passo para todo cliente novo.
- Não libere pedido suspeito para cumprir prazo. Atrasar um dia é melhor do que perder o produto e o valor.
Depois
- Guarde as provas de cada entrega: rastreio, comprovante com data e, quando houver, assinatura, nota fiscal e registro das conversas. É o que sustenta a contestação de um chargeback.
- Revise o que passou. Quais pedidos viraram chargeback, de que produto, em que horário. É a base das regras da próxima campanha.
Proteção demais também custa
Barrar o cliente de verdade é o outro lado da fraude, e na Black Friday ele pesa mais: é a venda perdida no dia em que ela mais vale. Se um cliente legítimo for barrado, baixe o nível de proteção e fale com ele por um canal direto. Na iSET, a mudança de nível vale na hora, e vale contar o caso ao Suporte, porque esses relatos ajudam a calibrar a proteção.
O objetivo não é recusar o máximo possível. É recusar o que é fraude e deixar passar o resto com o menor atrito.
Antes da Black Friday, confira
- Antifraude configurado, no nível intermediário.
- Regras de revisão manual definidas e alguém responsável pela fila.
- Expedição combinada: só sai pedido aprovado.
- Acesso ao painel revisado, sem conta compartilhada.
- Canais oficiais divulgados para os clientes.
- Provas de entrega guardadas para cada pedido.
Para o restante da operação, o guia de como preparar a loja para a Black Friday cobre estoque, frete, infraestrutura e testes.
Fontes: Serasa Experian, balanço da Black Friday 2025 (2025); Serasa Experian e ClearSale, Mapa da Fraude Black Friday 2025 (2026); Serasa Experian, estudo da Black Friday 2024 (2025).
Perguntas frequentes
A fraude aumenta mesmo na Black Friday?
O volume de tentativas acompanha o volume de pedidos, e o valor sobe. Segundo o Mapa da Fraude Black Friday 2025, da Serasa Experian e da ClearSale (2026), o tíquete médio das fraudes na Black Friday de 2024 foi de R$ 1.504,57, 40% acima da média do ano.
O que é teste de cartão?
É quando alguém usa a sua loja para conferir, em sequência, se cartões roubados funcionam. Mesmo sem venda aprovada, cada tentativa conta como recusa na adquirente, e recusa demais pesa na reputação da loja. Quando um cartão passa, a venda tende a virar chargeback.
Antifraude no nível mais alto não resolve?
Resolve a fraude e cria outro problema: cliente bom barrado. Na Black Friday, recusar uma compra legítima é perder a venda no dia em que ela mais vale. O equilíbrio é proteção intermediária, revisão manual para pedidos fora do padrão e nível mais alto só durante um ataque.
Devo enviar o pedido antes de a análise antifraude terminar?
Não. Pedido enviado antes da aprovação é produto perdido se a compra for fraudulenta. Combine com a equipe de expedição que só sai o que está aprovado, mesmo com fila.
O que guardar para contestar um chargeback?
Comprovante de entrega com data e, quando houver, assinatura; rastreio; nota fiscal; registro da conversa com o cliente; e dados da compra, como IP e e-mail. Sem prova de entrega, a contestação raramente prospera.
Pix também tem fraude?
Tem, mas o risco é diferente do cartão. No Pix, o dinheiro entra na hora e não há chargeback como no cartão. Os golpes mais comuns envolvem o cliente: sites e perfis falsos usando o nome da loja para receber Pix. Por isso vale divulgar quais são os canais oficiais.
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