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Tarifa por venda: o que as plataformas cobram de verdade

Tarifa por venda: o que as plataformas cobram de verdade

Existe uma linha no custo de uma loja virtual que raramente aparece no anúncio e quase sempre supera a mensalidade: a tarifa por venda concluída.

É um percentual que a plataforma cobra sobre cada pedido pago. Ela não substitui a mensalidade — soma.

Como ela funciona

A conta é direta: um percentual sobre o valor da venda, cobrado quando o pedido é concluído.

Na iSET, a tarifa varia por plano:

Plano Tarifa por venda
iSET Starter 1,69%
iSET PRO 1,49%
iSET Advanced 1,19%
iSET Prime 0,99%

A lógica é a de sempre: plano mais alto, tarifa menor. Quem vende mais paga proporcionalmente menos.

A isenção pelo meio de pagamento

Aqui há um detalhe que muda a conta e que muita gente lê errado.

Nos planos Starter, PRO e Advanced, vendas processadas pelo iPay — o meio de pagamento da própria iSET — não pagam a tarifa iSET. A tarifa só incide fora dele.

O iSET Prime é a exceção: nele a tarifa de 0,99% vale para qualquer meio de pagamento, o iPay incluído.

É uma distinção que vale conhecer antes de fazer a projeção, porque inverte o resultado da comparação entre planos dependendo do seu volume.

Fazendo a sua conta

Pegue o seu faturamento mensal e multiplique:

R$ 30.000/mês no plano PRO, fora do iPay: 30.000 × 1,49% = R$ 447 por mês de tarifa Mais R$ 399 de mensalidade = R$ 846

A mesma loja pelo iPay: Tarifa iSET = R$ 0 Total = R$ 399

A diferença de R$ 447 por mês é maior que a própria mensalidade. É por isso que essa linha merece atenção.

Não confunda com a taxa do pagamento

São coisas diferentes, e a confusão é comum:

  • Tarifa da plataforma — o que a plataforma cobra para você operar nela.
  • Taxa do meio de pagamento — o que a adquirente cobra para processar o cartão, o boleto ou o PIX.

A segunda existe em qualquer plataforma, porque o dinheiro vai para o processador, não para quem faz o software. Some as duas ao projetar.

Um detalhe que muda a conta no fim do mês

Confirme sobre qual base a tarifa incide — só o produto, ou o total com frete.

Num pedido de R$ 200 com R$ 30 de frete, a 1,69%, a diferença é de R$ 3,38 para R$ 3,89. Parece nada. Em mil pedidos por mês, são R$ 510 por ano que ninguém orçou, saindo de uma linha que você nem sabia que existia.

As perguntas certas

  1. Qual o percentual da tarifa no plano que eu quero?
  2. Ela incide sobre o valor do produto ou sobre o total, com frete?
  3. Existe algum meio de pagamento isento?
  4. Ela é cobrada no pedido pago ou no pedido feito?
  5. Pedido cancelado ou estornado devolve a tarifa?

A quarta e a quinta são as que separam contas boas de surpresas.

O ponto de virada entre planos

Como a tarifa cai conforme o plano sobe, existe um faturamento a partir do qual o plano mais caro fica mais barato no total. Vale calcular o seu.

Comparando Starter (R$ 199 + 1,69%) com PRO (R$ 399 + 1,49%), fora do iPay:

Faturamento/mês Starter PRO Melhor
R$ 20.000 R$ 537 R$ 697 Starter
R$ 60.000 R$ 1.213 R$ 1.293 Starter
R$ 100.000 R$ 1.889 R$ 1.889 empate
R$ 150.000 R$ 2.734 R$ 2.634 PRO

O ponto de equilíbrio fica em torno de R$ 100 mil por mês. Acima disso, o plano superior é mais barato — e ainda entrega limites maiores.

Refaça essa tabela com os seus números antes de renovar. É uma conta de cinco minutos que costuma mudar a decisão.

Como isso entra na sua margem

Some tudo o que sai de cada venda antes de olhar o que sobrou:

  • Custo do produto
  • Tarifa da plataforma
  • Taxa do meio de pagamento
  • Frete que você subsidia
  • Custo de aquisição, se veio de mídia paga
  • Impostos

Loja que olha só o custo do produto acha que tem 40% de margem e descobre no fim do ano que tinha 12%. A tarifa é uma linha pequena isolada e relevante no conjunto.

Por que ela existe

Vale entender o modelo, e não só reclamar dele. Tarifa por venda alinha o interesse: a plataforma só ganha mais quando você vende mais. Uma plataforma que cobra apenas mensalidade fixa não tem incentivo nenhum para melhorar a sua conversão.

O que importa é que ela seja clara, previsível e que você consiga colocá-la na planilha antes de assinar — não depois.

O que fazer com essa informação

Três ações concretas, hoje:

  1. Calcule a sua tarifa real do último mês. Faturamento vezes o percentual do seu plano. O número costuma surpreender.
  2. Compare com a diferença de mensalidade para o plano seguinte. Se a economia de tarifa supera a diferença, você está pagando mais para ter menos.
  3. Confirme a base de incidência e a regra de cancelamento. São as duas perguntas que ninguém faz e que mais mexem no total.

Tarifa por venda não é armadilha — é modelo, e alinha o interesse da plataforma ao seu. O que não pode é você descobrir o número no extrato em vez de na proposta.

Perguntas frequentes

Tarifa por venda é a mesma coisa que taxa de cartão?

Não. A tarifa por venda é o que a plataforma cobra para você operar nela. A taxa do cartão é o que a adquirente cobra para processar o pagamento. As duas existem, são cobradas por empresas diferentes e somam.

A tarifa incide sobre o frete também?

Depende da plataforma, e essa é uma das perguntas mais importantes a fazer antes de assinar. Sobre um pedido de R$ 200 com R$ 30 de frete, a diferença entre incidir sobre R$ 200 ou sobre R$ 230 aparece no fim do mês.

Se o pedido for cancelado, a tarifa volta?

Deveria, e na maioria das plataformas sérias volta — mas confirme antes. Loja com taxa alta de cancelamento ou de chargeback precisa saber disso com precisão.

Como a isenção no iPay funciona na prática?

Nos planos Starter, PRO e Advanced, venda processada pelo iPay não paga a tarifa iSET; ela só incide fora dele. O iSET Prime é a exceção: nele a tarifa de 0,99% vale para qualquer meio de pagamento.

Vale trocar de plano só para pagar menos tarifa?

Vale a partir do ponto em que a economia de tarifa supera a diferença de mensalidade. Faça a conta com o seu faturamento: costuma compensar bem antes do que se imagina.

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